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quarta-feira, 2 de junho de 2021

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Desabafo III

Estou perdida. Mas também não tenho capacidade de me conseguir encontrar, ou talvez nem se quer me queira encontrar. Sinto que não pertenço a este lugar, preciso de estar sozinha. Continuo perdida ainda assim. 


Vodka Morango

sexta-feira, 16 de abril de 2021

desabafo II

Era uma noite, tão escura e tão fria, parecia saída daqueles filmes de terror. Lá estava eu, num lugar estranho, onde não conhecia ninguém, nem ninguém me conhecia a mim também, e eu só queria fugir. o problema foi esse mesmo, não conseguir fugir e permaneci. Observava tudo o que se passava à minha volta, e todos aqueles hábitos estranhos que eles tinham, que eu nem se quer sabia que existiam. Até que, de um momento para o outro, consegui fugir. Fugi, fugi para aquele lugar a que todos chamam casa, mas... qual casa? senti-me tão sozinha, e perdida nessa altura, mais uma vez, no meio de entre tantas. não tinha ninguém a quem recorrer, não tinha o colo e o carinho de ninguém, não tinha nada, não tinha ninguém. quem me dera não ter fugido e ter simplesmente existido naquele lugar retirado de um filme de terror. senti-me vazia, talvez não me sentisse vazia, mas na verdade eu era o vazio, na sua imensidão total. Nos dias que se passavam, simplesmente deixei de ter emoções, mais uma vez queria fugir. e para onde? para este meu refugio onde me encontrei a primeira vez, onde a natureza está em todo o lado, onde a praia, o mar e o ambiente me trazia de volta a mim. Tudo muda aqui, tudo me faz renascer e trazer de novo a mim, de novo à minha existência. só queria poder manter-me aqui, e ser de novo feliz aqui. tenho medo de voltar àquele lugar onde me perdi diversas vezes, e onde não me consegui encontrar nunca. tenho medo.


Vodka Morango



desabafo

a vida é tão montanha russa, umas vezes estás lá em cima, e outras tantas estás a descer a pique, numa descida vertiginosa que nem te consegues agarrar para te manteres ao de cima. nessa mesma descida, deparei-me com o meu vazio interior, onde perdi tudo o que tinha. perdi-me e senti que nunca mais me iria encontrar. fugi, fugi para aqui por sentir natureza em todos os poros existentes, na casa, nos caminhos, nas pessoas, no sol, nos passarinhos, na praia. principalmente na praia. tinha tanto tempo, mas estava tão presa a mim, na minha cabeça e nos meus traumas. fugi para este refúgio sem pensar duas vezes, porque o silêncio me trazia de volta, o mar trazia-me de volta, tudo me trazia de volta, tudo o que eu respirava aqui me trazia de volta, me preenchia aquele vazio que mais nenhum outro ser consegue preencher. tudo o que eu fugia não existia, as pessoas e a dependência que eu talvez tinha delas, o barulho, os sítios das lembranças que não queremos lembrar, tudo isto me sugava a alma e dei por mim sem saber de mim. mas a verdade é que aqui, nada disso existia. Era disso que precisava, destruir tudo o que tinha construído, todos os medos, todos os traumas e todas as barreiras. E reencontrar-me.


Vodka Morango

sufoco

Quando me sinto a sufocar, venho aqui deixar um pouco desse sufoco para ver se fico aliviada, mas quase nunca isso acontece. Então tento refugiar-me em mim, e simplesmente existir para conseguir atenuar tudo o que se passa à minha volta. 


Vodka Morango

quarta-feira, 31 de março de 2021

Buried Alive By Love

"To die is to know that you're alive
And my river of blood won't run dry
I never wanted to lose you, no
But a cold heart is a dead heart
And it feels like i've been buried alive by love"


H.I.M - Buried Alive By Love 

........

Quando tens uma crise existencial, acho que nada do que te possam dizer ou mesmo fazer vai ajudar. Porque depois das palavras e dos actos o que acontece? Voltas ao teu lugar, ao teu vazio, voltas à tua vida sem respostas e sem sentido. 


Vodka Morango

segunda-feira, 8 de março de 2021

Demência

Vou ser feliz na minha demência! Nas noites de lua cheia e céu estrelado, vou abrir as portadas de minha casa que vão dar acesso à varanda, vou dançar e cantar a música mais triste. Aquela música que faça com que o meu coração se enfie dentro do meu peito o mais fundo possível, que se torne o coração mais pequenino possível. Vou dançar sozinha, para a lua e para as estrelas. Numa outra noite, vou subir ao telhado, aliás como faço todas as noites que sinto saudades, para em vez de dançar para as estrelas, vou conta-las. Nessa noite, vai ser uma bela noite fria e chuvosa. A chuva vai lavar-me o rosto e ao mesmo tempo vai acalmar-me e congelar-me a alma. A lua vai estar lá, a olhar para mim. Vai convidar-me para uma última dança, e eu descalça vou sem hesitar. Estico o meu braço o mais possível e junto com a lua vou dançar. Dançar até aos meus pés estarem calejados, dançar até não ter mais força, dançar até o meu coração gritar chega, dançar até o meu corpo estar dormente. A dança termina num passo escorregadio. Vou abrir os braços, e vou deixar-me simplesmente ir. Finalmente vou ser livre, e voar. 


Vodka Morango

domingo, 7 de março de 2021

Prisão

Que prisão tão perfeita. Como são divinas as suas paredes negras, como é acolhedor e encantador este cheiro a podre e sacrifício. Como é quente esta chama que, diminuta, arde dentro de mim, encontrando-se quase extinta. Como é vazio este meu olhar, que outrora fora cheio. Como é perfeito este girar de agonias e contradições, e que boa é esta demência que se instala em redor.  


Vodka Morango

quarta-feira, 3 de março de 2021

Coração.

Enquanto os dias passam, sinto que preciso de abrandar, tanto o ritmo do meu coração como o ritmo da minha vida. Para quê desejar tudo ao mesmo tempo? Se queremos tudo ao mesmo tempo, vamos acabar por perder qualquer tipo de controlo que possamos ter, e depois tudo isso se dissipa no ar. Só porque antes fizemos as coisas de uma maneira, não quer dizer que as coisas se voltem a repetir de igual maneira. Mais uma vez, o ser humano muda, e o que muda também com ele? Os sentimentos. E só podemos julgar o sentimento e onde falhamos, quando temos o fim à nossa frente. Na verdade, gostar não chega. Tem de haver uma construção de tudo o que implica a palavra sentimento. E onde esta construção vai existir? Vai ser só e apenas só no coração. Não há maneira de mudar o sítio onde isso vai acontecer, tal como o  crescimento. O coração é o órgão mais bonito, e mais complicado. Temos capacidade de construir coisas tão bonitas, mas também capacidade para nos magoarmos tanto. O sentimento vem do coração e é criado, construído e crescido apenas e só no coração. O resto vem por acréscimo. 


Vodka Morango

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Untitled

Não queiras desejar tudo ao mesmo tempo. Quanto mais antecipamos as coisas, mais depressa elas nos fogem das mãos e perdemos todo o controlo que até então tínhamos. Literalmente, tudo é dissipado no ar, como um sopro silencioso. Não interessa que no passado as coisas tenham sido de uma maneira, neste nosso presente, as coisas não se tornam a repetir. As pessoas mudam, e com elas o sentimento também vai mudando.


Vodka Morango

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Intemporal

O que posso dizer? Posso afirmar que nós somos tão parecidos com as estações do ano. De tempos a tempos, mudamos. Normalmente, quando mudamos, tudo à nossa volta muda também. Sem qualquer tipo de explicação ou razão. Muito menos de aviso prévio. E onde se encaixa aqui o amor? Pois, esse sentimento que permanece tão perfeitamente guardado numa caixa. A mais segura de sempre, pois o amor não muda. No entanto, não podemos afirmar que seja qualquer tipo de amor. O único que se mantém igual a ele mesmo, é o amor no seu estado verdadeiro e mais puro. Todos os que já o tiveram nas mãos, ou que o mantém entre dedos sabem que este sim, é intemporal e intocável por mais estações que passem. Ele cresce e talvez até renasça mais forte e tão, mas tão mais bonito. Se calhar isso acontece connosco. Quando realmente amamos alguém, aprendemos a organizarmo-nos interiormente para nos conseguirmos adaptar à pessoa. Tudo se interliga e tudo está em perfeita sintonia, incluindo todas as estações, como se o destino já tivesse sido traçado à tanto tempo. Tempo esse que acaba por ser invisível quando descobrimos este amor tão bonito. Não tenham medo das mudanças de estações. Tal como as árvores voltam a ter folhas, o amor reaparece, possivelmente mais bonito e mais forte. 


Vodka Morango

Sunshine

"It's the way of the world
You're on your own
Time to grow and be a man
Want to fly high like Peter Pan
No more never never land
So lose your backpack filled with sand
Come along and take my hand
We'll walk together, walk for forever"

Matisyahu - Sunshine


Vodka Morango

domingo, 31 de janeiro de 2021

Devaneios

Há coisas tão bonitas, coisas que nem eu própria consigo explicar, ou talvez nem queira. Provavelmente porque as coisas que são verdadeiras não são para ser explicadas, talvez sejam só para serem sentidas e transmitidas a quem temos de transmitir. No entanto,  só sei apenas, que começaste a ser a página mais bonita que o destino anda a escrever na minha vida. Por favor, que esta página não tenha fim. 


Vodka Morango

Voltei

Voltei. Depois deste tempo todo sem escrever, acho que as saudades falaram mais alto e apertaram. Estou aqui de novo, em frente ao computador, pronta para continuar estes devaneios para todos e ninguém. De coração na ponta dos dedos, tento começar pelo inicio, mas e onde é o inicio? Há tanta coisa que eu tenho para transpor nestas páginas brancas que se torna difícil de descobrir o inicio. 


Vodka Morango

sábado, 30 de janeiro de 2021

Sentir

Quando não sabes o que vai na tua cabeça ou até mesmo no teu coração, as coisas começam a complicar.  Quando gostavas de conseguir explicar as coisas como elas são, mas na verdade nem tu sabes o que está a acontecer. Só sabes que é a coisa mais bonita que estás a viver, e que já não sentes algo assim há algum tempo. No entanto, nem queres explicar, porque não faz sentido, algo tão bonito ser explicado. 


Vodka Morango

terça-feira, 31 de maio de 2016

Irreconhecível

Sinto o meu coração a tentar saltar-me pela boca, e com ele toda a minha alma vai junta. Julgo que algo se anda a passar comigo, como se um sentimento interior me estivesse a queimar, corroendo-me de dia para dia, aumentando progressivamente. Preciso de me libertar disto, não sei bem identificar o que é, mas sei que me atormenta dia e noite, sem parar. Se não me soltar desta coisa, acabarei por perder as pessoas mais próximas de mim, a pessoas que eu amo, e aquelas que nenhum dia me queria ver livre. Porque são essas mesmas pessoas, que me fazem andar, me fazem lutar todos os dias, e me conseguem impor um sorriso verdadeiro na cara. Sem elas, julgo que não conseguiria seguir o meu caminho, e acabaria por entrar num buraco negro de sofrimento.

Vodka Morango

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pára mas continua

Sinto-te mais perto, tão perto que consigo ouvir o bater coordenado do teu coração. A minha cabeça é uma bomba. Sinto um leve respirar ofegante, gelado, no meu ouvido – sei que és tu - sinto-te correr no meu corpo, sinto as tuas palavras como choros do meu coração, sinto o teu sangue fervilhar nas minhas veias, sinto o teu toque arrepiante na minha mão, sinto…pára! 
Por onde andas? Sinto-me tão frágil, tão desprotegida e tão pequena. Falta-me o teu aconchego e o teu abrigo. Às vezes deixo de raciocinar, só tu me ocupas o pensamento. Já para não falar dos dias em que me assombras. Sim, assombras-me todo o dia e toda a noite. Chego a acordar com a tua voz a ecoar na minha cabeça. Já que me deixaste aqui sozinha, exposta a todos os perigos, porque não te desprendes do meu coração? Usas e abusas de tudo o que eu tenho para dar. Mas não posso, nem quero, dar mais. 
Eu dava a vida por ti. Dei-te tudo o que tinha e não tinha. Mas mesmo que caminhes pé ante pé até mim e me agarres com força, eu poderei, mesmo assim, fugir de ti.

Vodka Morango

Tanto Veneno

Sinceramente, não sei por onde começar… Pesa cada momento, desde o inicio ao fim… Apareceste, não consigo determinar se foi numa boa ou má altura… Apareceste! 
Oh se eu fosse a contar quantas vezes suspirei pelo teu olhar intenso, pelo teu toque calmo, pelos teus doces lábios, pelas tuas melodiosas palavras… Oh se eu fosse a contar quantas vezes adormeci a sonhar com os teus beijos… Se eu fosse a contar quantas vezes chorei pela tua ausência, pelas perguntas frequentes da minha cabeça, pelas tuas frases inacabadas, pelas tuas respostas inúteis…Sinto-me tão idiota!
Disciplinaste tão bem o meu coração para se converter teu escravo. Cravaste tão bem o teu nome, abandonaste tão inocentemente o teu cheiro no meu corpo.
Tentei ser forte, juro que tentei ser forte… Tentei resistir… Mas sou tão fraca! Tão fraca!
Acreditei tanto no meu infiel coração, acreditei tanto no teu olhar, nesse doce crime que é o teu olhar… Deixei-me arrastar pela corda, deixei que ela me desse a volta ao pescoço, que ela me amarrasse a ti…
Acreditei tanto no meu desejo que deixei que a esperança me amarrasse o coração. Oh sofro tanto a falta do subtil toque, das palavras murmuradas ao ouvido, dos arrepios… Sinto tanto a ausência da tua morte em mim! E que doces, quentes venenos eram beijos teus!
Tantas vezes me perguntei - Porquê? – Porquê insistir numa cegueira tão sólida? Porquê cair uma, duas, três vezes no mesmo abismo? Porquê levantar-me quando o salto já está previsto? Porquê lutar pela vida quando o veneno já começou o seu domínio? Porquê continuar com questões quando estou ciente de que nunca vou adquirir resposta?
Guardo cada recordação, cada palavra como se fosse um tesouro… Sim confesso, que cada gesto teu é uma ferida aberta em mim, que cada aproximação tua é uma esperança que se esfuma, que cada lágrima é o que resta do teu vírus em mim… Que cada vez que tenho coragem de pronunciar o teu nome, é mais um vestígio de saudade…
Há tanto, tanto para dizer… Tanto! Tanto veneno que ainda me vagueia nas veias, tanto veneno ainda por derramar… 

Vodka Morango

Cartas e Danças a Ninguém

Imagino-me sentada num velho banco de madeira pintado de azul (banco que eu mesma pintei) de caneta e papel na mão a escrever cartas a ninguém… Cartas que vou mandar pelo correio a uma morada em branco… Cartas que o carteiro me virá devolver… E cartas a que eu me vou sentir na obrigação de responder… 
Vou escrever um livro que não vai ter sentido algum… Vou chamar-lhe livro porque vai ter imensas folhas, muitas delas em branco, outras com umas enormes barbaridades e umas manchas secas de café. Nas noites de lua cheia, vou abrir as portadas da varanda, vou cantar a música mais triste e vou dançar… Vou dançar sozinha!
Um dia, vou subir ao telhado – como faço todas as noites em que sinto saudade – para contar as estrelas. Nesse dia vai estar a chover. Vou sentir a chuva lavar-me o rosto e o quanto calmante isso é. A lua vai lá estar e vai convidar-me para uma última dança, descalça, vou levantar-me, vou erguer a mão ao céu e vou dançar com a lua no telhado… A dança vai terminar com um passo escorregadio, vou abrir os braços, atirar-me de cabeça e finalmente vou ser livre… de voar! 

Vodka Morango