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domingo, 31 de janeiro de 2021

Devaneios

Há coisas tão bonitas, coisas que nem eu própria consigo explicar, ou talvez nem queira. Provavelmente porque as coisas que são verdadeiras não são para ser explicadas, talvez sejam só para serem sentidas e transmitidas a quem temos de transmitir. No entanto,  só sei apenas, que começaste a ser a página mais bonita que o destino anda a escrever na minha vida. Por favor, que esta página não tenha fim. 


Vodka Morango

Voltei

Voltei. Depois deste tempo todo sem escrever, acho que as saudades falaram mais alto e apertaram. Estou aqui de novo, em frente ao computador, pronta para continuar estes devaneios para todos e ninguém. De coração na ponta dos dedos, tento começar pelo inicio, mas e onde é o inicio? Há tanta coisa que eu tenho para transpor nestas páginas brancas que se torna difícil de descobrir o inicio. 


Vodka Morango

sábado, 30 de janeiro de 2021

Sentir

Quando não sabes o que vai na tua cabeça ou até mesmo no teu coração, as coisas começam a complicar.  Quando gostavas de conseguir explicar as coisas como elas são, mas na verdade nem tu sabes o que está a acontecer. Só sabes que é a coisa mais bonita que estás a viver, e que já não sentes algo assim há algum tempo. No entanto, nem queres explicar, porque não faz sentido, algo tão bonito ser explicado. 


Vodka Morango

terça-feira, 31 de maio de 2016

Irreconhecível

Sinto o meu coração a tentar saltar-me pela boca, e com ele toda a minha alma vai junta. Julgo que algo se anda a passar comigo, como se um sentimento interior me estivesse a queimar, corroendo-me de dia para dia, aumentando progressivamente. Preciso de me libertar disto, não sei bem identificar o que é, mas sei que me atormenta dia e noite, sem parar. Se não me soltar desta coisa, acabarei por perder as pessoas mais próximas de mim, a pessoas que eu amo, e aquelas que nenhum dia me queria ver livre. Porque são essas mesmas pessoas, que me fazem andar, me fazem lutar todos os dias, e me conseguem impor um sorriso verdadeiro na cara. Sem elas, julgo que não conseguiria seguir o meu caminho, e acabaria por entrar num buraco negro de sofrimento.

Vodka Morango

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pára mas continua

Sinto-te mais perto, tão perto que consigo ouvir o bater coordenado do teu coração. A minha cabeça é uma bomba. Sinto um leve respirar ofegante, gelado, no meu ouvido – sei que és tu - sinto-te correr no meu corpo, sinto as tuas palavras como choros do meu coração, sinto o teu sangue fervilhar nas minhas veias, sinto o teu toque arrepiante na minha mão, sinto…pára! 
Por onde andas? Sinto-me tão frágil, tão desprotegida e tão pequena. Falta-me o teu aconchego e o teu abrigo. Às vezes deixo de raciocinar, só tu me ocupas o pensamento. Já para não falar dos dias em que me assombras. Sim, assombras-me todo o dia e toda a noite. Chego a acordar com a tua voz a ecoar na minha cabeça. Já que me deixaste aqui sozinha, exposta a todos os perigos, porque não te desprendes do meu coração? Usas e abusas de tudo o que eu tenho para dar. Mas não posso, nem quero, dar mais. 
Eu dava a vida por ti. Dei-te tudo o que tinha e não tinha. Mas mesmo que caminhes pé ante pé até mim e me agarres com força, eu poderei, mesmo assim, fugir de ti.

Vodka Morango

Tanto Veneno

Sinceramente, não sei por onde começar… Pesa cada momento, desde o inicio ao fim… Apareceste, não consigo determinar se foi numa boa ou má altura… Apareceste! 
Oh se eu fosse a contar quantas vezes suspirei pelo teu olhar intenso, pelo teu toque calmo, pelos teus doces lábios, pelas tuas melodiosas palavras… Oh se eu fosse a contar quantas vezes adormeci a sonhar com os teus beijos… Se eu fosse a contar quantas vezes chorei pela tua ausência, pelas perguntas frequentes da minha cabeça, pelas tuas frases inacabadas, pelas tuas respostas inúteis…Sinto-me tão idiota!
Disciplinaste tão bem o meu coração para se converter teu escravo. Cravaste tão bem o teu nome, abandonaste tão inocentemente o teu cheiro no meu corpo.
Tentei ser forte, juro que tentei ser forte… Tentei resistir… Mas sou tão fraca! Tão fraca!
Acreditei tanto no meu infiel coração, acreditei tanto no teu olhar, nesse doce crime que é o teu olhar… Deixei-me arrastar pela corda, deixei que ela me desse a volta ao pescoço, que ela me amarrasse a ti…
Acreditei tanto no meu desejo que deixei que a esperança me amarrasse o coração. Oh sofro tanto a falta do subtil toque, das palavras murmuradas ao ouvido, dos arrepios… Sinto tanto a ausência da tua morte em mim! E que doces, quentes venenos eram beijos teus!
Tantas vezes me perguntei - Porquê? – Porquê insistir numa cegueira tão sólida? Porquê cair uma, duas, três vezes no mesmo abismo? Porquê levantar-me quando o salto já está previsto? Porquê lutar pela vida quando o veneno já começou o seu domínio? Porquê continuar com questões quando estou ciente de que nunca vou adquirir resposta?
Guardo cada recordação, cada palavra como se fosse um tesouro… Sim confesso, que cada gesto teu é uma ferida aberta em mim, que cada aproximação tua é uma esperança que se esfuma, que cada lágrima é o que resta do teu vírus em mim… Que cada vez que tenho coragem de pronunciar o teu nome, é mais um vestígio de saudade…
Há tanto, tanto para dizer… Tanto! Tanto veneno que ainda me vagueia nas veias, tanto veneno ainda por derramar… 

Vodka Morango

Cartas e Danças a Ninguém

Imagino-me sentada num velho banco de madeira pintado de azul (banco que eu mesma pintei) de caneta e papel na mão a escrever cartas a ninguém… Cartas que vou mandar pelo correio a uma morada em branco… Cartas que o carteiro me virá devolver… E cartas a que eu me vou sentir na obrigação de responder… 
Vou escrever um livro que não vai ter sentido algum… Vou chamar-lhe livro porque vai ter imensas folhas, muitas delas em branco, outras com umas enormes barbaridades e umas manchas secas de café. Nas noites de lua cheia, vou abrir as portadas da varanda, vou cantar a música mais triste e vou dançar… Vou dançar sozinha!
Um dia, vou subir ao telhado – como faço todas as noites em que sinto saudade – para contar as estrelas. Nesse dia vai estar a chover. Vou sentir a chuva lavar-me o rosto e o quanto calmante isso é. A lua vai lá estar e vai convidar-me para uma última dança, descalça, vou levantar-me, vou erguer a mão ao céu e vou dançar com a lua no telhado… A dança vai terminar com um passo escorregadio, vou abrir os braços, atirar-me de cabeça e finalmente vou ser livre… de voar! 

Vodka Morango